Estudos Biblicos
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Autor Tópico: A Armadura do Cristão  (Lida 2233 vezes)
Pr. Sérgio Felizardo
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« em: Julho 09, 2009, 20:39:55 »

A ARMADURA DO CRISTÃO

Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes  
Efésios 6:13

ESTUDO BÍBLICO
INTRODUÇÃO

Ser cristão é estar sempre pronto para a luta. O apóstolo Paulo, falando da sua experiência pessoal, afirma já no final da sua vida: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei na fé” (II. Timóteo 4:7).

Paulo expressa, nesta passagem, o equipamento que o cristão necessita: toda a armadura de Deus. Nenhuma parte da armadura pode ser omitida, pois o adversário de nossas almas sabe como tomar partido de qualquer debilidade. Esta armadura tanto pode significar a armadura que Ele mesmo usa, como a que Ele fornece. Talvez ambas as ideias estivessem na mente de Paulo.

Como filhos de Deus enfrentamos lutas tremendas no mundo espiritual e precisamos estar devidamente preparados se quisermos sair vencedores. Paulo menciona que ao chegar à Macedónia para onde foi chamado por Deus para pregar a Palavra, enfrentou situações de lutas terríveis.

Vejamos o relato: “Porque, chegando nós à Macedónia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro” (II Coríntios 7:5). Da mesma maneira, nós que estamos embrenhados no serviço do reino de Deus, seremos confrontados pelas forças do mal, que nos procurarão colocar fora de combate.

O apóstolo, na altura em que escreveu Efésios, estava preso em Roma esperando o julgamento de César, provavelmente o dia todo, e todos os dias, preso por correntes a um soldado romano. Na prisão, tem diante dos olhos a figura marcante do soldado romano, forte, robusto, revestido da sua armadura.

Sua mente deve frequentemente ter-se voltado do soldado romano para o soldado de Jesus Cristo, e do soldado ao qual estava preso, para o Guerreiro celestial. Estava em sua mente, como veremos à frente com mais detalhes, a descrição da armadura do Guerreiro celestial, tal como é feita em Isaías 59:17.

Por que devemos vestir a armadura de Deus? Porque a nossa luta não é apenas contra adversários humanos (6:12), mas a nossa luta é contra forças mais poderosas, as forças espirituais do mal, forças aguerridas e muito bem organizadas. O inimigo é tremendamente perigoso, hábil, inteligente, perseverante, incansável e capaz de usar todos os artifícios que debilitam as resistências de quem, contra ele, tente lutar.

Paulo diz: “Para que possais resistir no dia mau” (6:13) Nos dias actuais, sabemos que os cristãos enfrentam sérias e graves dificuldades. Nada vale o carácter, nem a personalidade, nem a dignidade. A Bíblia não faz segredo de que, nos últimos tempos, tempos difíceis virão.

O “dia mau” significa o conjunto de circunstâncias que formam o cenário onde se desenvolve a luta do cristão na época em que ele vive, que contra ele conspira com o objectivo de, se possível, o levar ao desânimo e ao desalento:

1. Satanás, que nos prepara ciladas para que caiamos nelas. As hostes espirituais da maldade não nos deixarão descansar um só momento ( Efésios 4:31; II Coríntios 2:11; Tiago 4:7; I Pedro 5:8 ).

2. A Carne, que nos leva a servir ao pecado (Romanos 7:23). Esta  a  razão porque temos de nos abster de muitas coisas (I Cor. 9:25-27). A concupiscência da carne é o mundo (I João 2:16).

3. A Morte, será o último inimigo a ser vencido. A morte física não pode impedir a ressurreição dos eleitos, a vida eterna.

Como enfrentar o inimigo? Paulo dá-nos belos conselhos, que nos fortalecem na luta contra o inimigo das nossas almas:

1. Fortalecei-vos - Não são precisas novas forças, mas sim, saber usar as que já possuímos, fortalecendo-nos no Senhor, porque Ele é a força divina (Mateus 28:28; Efésios 1:19-23). É bom que compreendamos que uma pessoa não pode fortalecer-se a si própria, pois necessita receber poder, não uma única vez, mas constantemente.

Além disso, o apóstolo não diz “pelo Senhor”, embora seja esta a verdade, mas simplesmente repete “no Senhor”. Quando se vive em união com Ele, dentro dos limites da Sua vontade e, consequentemente, de Sua graça, não pode haver falha devida à falta de poder (I João 2:14). Fora d’Ele o cristão nada pode fazer (João 15:1-5), mas toda a “força e Seu poder” está à nossa disposição. Não devemos confiar nas nossas forças, mas na força do seu poder.

Nossa vitória será proporcional à nossa dependência do Senhor, conforme diz Paulo: “Posso todas as coisas n’Aquele que me fortalece” (Filipenses 4:13).

2. Revesti-vos - Para que possamos resistir ao inimigo, no dia-a-dia, temos de nos revestir de toda a armadura de Deus. Esta armadura é fornecida por Deus, mas o cristão precisa revestir-se dela. Há recursos ao nosso alcance, mas temos de lançar mão deles. Deus faz a sua parte; o cristão precisa de fazer a dele.

3. Toda a armadura - Não apenas algumas peças, mas toda a armadura. Todo o corpo, de cima até a baixo, deve estar resguardado do perigo que surge repentinamente em nossas vidas. A ordem de Paulo “tomai” é que nos apropriemos do poder espiritual a nós fornecido.

São três os objectivos de nos revestirmos com a armadura de Deus:
- 1. Permanecermos firmes contra as ciladas do diabo;
- 2. Resistir no dia mau,  para no final dele, permanecermos firmes;
- 3. Batalhar e vencer o diabo e suas hostes espirituais.

Paulo avisa todos os crentes, que quando chegam a compreender o horrível poder e a procedência dos nossos inimigos espirituais, devem tomar toda a armadura (6:11) e ficar firmes (6:14).

Paulo analisa as sete peças principais do equipamento do soldado (o cinto, a couraça, as botas, o escudo, o capacete, a espada e a oração) e as emprega como ilustrações (da verdade, da justiça, do evangelho da paz, da fé, da salvação, da Palavra de Deus e da força motriz), que nos equipam em nossa luta.

O apóstolo divide estas sete armas em dois grupos:
Em seguida vamos estudar, uma a uma, todas as peças que constituem a Armadura do Cristão, com o propósito de que cada crente possa conhecer as armas que o Senhor Jesus coloca ao seu dispor para a luta contra Satanás, usá-las e sair vencedor quando for tentado pelo maligno.

O CINTO DA VERDADE

“Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade” - Efésios 6:14
A primeira peça com que nos devemos equipar, que Paulo menciona, é O Cinto da Verdade, e que, na maioria das vezes, aquela à qual damos menos importância.

Descrevendo a armadura, Paulo começa pelo Cinturão, que, ao armar-se, o combatente colocava em torno da cintura, e era não só útil para apertar a armadura em volta do corpo, mas também para sustentar as adagas, as espadas curtas ou quaisquer outras armas que ali pudessem ser penduradas. Tinha funções meramente defensivas. Era de couro, recoberto com placas de metal, para manter o corpo direito e firme. Ao afivelar o cinto, o soldado recebia uma sensação de força e de confiança escondidas.

A Verdade deve ser a primeira peça da Armadura de Deus, de que o cristão se deve revestir. Em sua primeira Epístola (1:13), Pedro diz: “Cingindo os lombos do vosso entendimento” e Paulo aqui indica o meio: O Cinto da Verdade. Se há lacuna ou falha neste domínio, tudo está perdido, porque o inimigo nos vencerá e depois nos usará, encontrando uma entrada em nosso ser por essa falta, não de doutrina bíblica, mas de verdade em nossa vida espiritual, privada ou pública.

Aqui, Verdade, quer dizer “sinceridade” e “honestidade” para com Deus e os homens. Não deixa de ser curioso que os amantes da verdade são objecto de risota dos que gostam de viver na simulação e na mentira. O cidadão “honesto” é tido por aqueles que procuram “levar vantagem” à custa de golpes de habilidade, de engodos, de iscas, etc...

Certamente Deus requer “a verdade no íntimo”, e o cristão deve ser verdadeiro, a todo o custo, na maneira de proceder, nos actos e nas palavras. O cristão, com o Cinto da Verdade bem ajustado, evita as dissimulações, os rodeios, as intrigas, a mentira, a calúnia, os falsos juízos, a hipocrisia ou a deslealdade, que são armas do diabo. Não poderemos vencê-lo seguindo as suas próprias regras.

Que apelo e que advertência solenes para o servo de Deus e para cada membro da Igreja de Cristo! Um guerreiro cristão, com o cinto apertado ao redor de si, não se põe a correr em perseguição da verdade, como se fosse um pássaro fugitivo.

A Verdade é alguma coisa da qual ele parte e não alguma coisa que ele se deleita em perseguir. A Verdade é algo que o cristão possui e o cinge. É um cinto apertando ao redor dos homens. O Cristianismo, para ter poder, tem de ser genuíno. Quando o cristão apresenta aparência, o Cristianismo é mero formalismo.

Ninguém deve pensar que está livre de perigo. O que o diabo abomina é a verdade transparente. Ele ama as trevas. A luz o põe em fuga. Cada um deve aspirar a ser um exemplo, um modelo em tudo o que concerne à verdade e à lealdade, tendo em seus lombos “a verdade por cinto”.

Por esta razão é indispensável ao cristão o Cinto que o apóstolo Paulo fala: o Cinto da Verdade. Ninguém está livre de o perigo lhe bater à porta. Com os lombos cingidos com a verdade (6:14), o cristão está pronto para o combate. Com o Cinto da Verdade frouxo, jamais poderá o crente estar preparado para enfrentar o perigo.

A Verdade é o símbolo da vigilância, da concentração, do desembaraço. Jesus, ao dirigir-se aos judeus recém-convertidos, disse-lhes: “...e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. A verdade é, pois, elemento indispensável na preparação do cristão para a luta, porque, cingido com a verdade, o cristão parte para a luta com a certeza de que defende o que é justo, o que é digno, o que é nobre.

Ao ajustar o Cinto da Verdade, o cristão está dando o primeiro passo na sua preparação para a luta constante contra o maligno. O apóstolo Paulo exorta: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, e se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” ( Filipenses 4:8 ).

Assim como o cinto, do qual pendia a espada, saía da túnica do soldado, e lhe dava liberdade de movimentos, assim, também, o cristão se move livre e rapidamente porque em qualquer situação conhece a Verdade. O combatente cristão é soldado integral em tudo e em todos os sentidos, nas grandes e pequenas coisas. Está desimpedido e não tem outra preocupação que não seja a sua luta.

O mais é secundário, dentro do pensamento definido por Jesus: “Buscai primeiro o seu reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33).
O combatente cristão, cingido com a verdade eterna do Evangelho, tem a certeza, luta com segurança e, por isso, prossegue firme o combate, sem jamais virar as costas ao inimigo ou a ele se vir a aliar.

O falar do cristão “deve ser sim, sim; não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mateus 5:37), como disse o Senhor Jesus Cristo no Sermão da Montanha. O cristão não se pode empenhar em luta espiritual vitoriosa, a não ser que possua integridade pessoal. A sua folha precisa de estar limpa. Precisa estar acima da censura. Não deve haver nele pecado secreto e não confessado. A vida do guerreiro cristão deve estar aberta diante de Deus e diante dos homens.

Não nos esqueçamos que Deus é a Verdade (Jeremias 10:10; João 14:16).

Como manter o Cinto apertado?
- a) Falando sempre a Verdade (Zacarias 8:16; Actos 16:25).
- b) Deixando a mentira (Efésios 4:25).
- c) Falando a Verdade  com  ousadia  (II Timóteo 1:8; 2:25; Actos 4:33.
- d) Falando com espiritualidade (Actos 6:10).
- e) Não usando a verdade com violência (Zacarias 4:6).
- f) Usando    sempre    a    Palavra    quer    ofensiva   quer defensivamente (II Coríntios 6:7).

Qual a razão porque devemos ter o Cinto bem apertado?

1. Sendo Jesus a Verdade, o Cristianismo tem um lugar exclusivo para ela (Marcos 12:14; João 14:6).

2. Aqueles que cometem pecado são escravos do pecado. A esperança de libertação está no Filho de Deus (João 8:36).

3. A santificação não exige que sejamos tirados do ambiente das influências humanas (conventos ou mosteiros). A santificação nos envia ao mundo como Jesus foi (João 17:18).

4. O mundo está num caos porque os seus motivos e objectivos são errados e fúteis (João 3:19). A Verdade é resplandecente, ilumina e não deixa o crente em trevas (Mateus 5:14).

5. A comunicação da Verdade não se faz por meio de raciocínios ou contemplações de uma imagem feita por mãos humanas, mas pela Palavra de Deus (João 17:17).

6. A Igreja não ensina. A Igreja é ensinada por aqueles a quem Cristo levanta para este fim. O Espírito de Deus, que habita em nós, nos guiará à Verdade (João 16:13).

O mundo despreza a Verdade, mas há sempre alguns que a buscam. São os crentes. Que sejamos cada um de nós.

A COURAÇA DA JUSTIÇA

“Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça” - Efésios 6:14

A Couraça da Justiça é a segunda peça que o apóstolo Paulo nos apresenta. Descrevendo a armadura, Paulo não podia esquecer esta peça inteiriça que cobria o tronco, protegendo as partes vitais do combatente. Era feita de couro, linho ou bronze, recoberta de escamas que permitiam a liberdade de movimentos.

Algumas, um pouco mais custosas e delicadas, eram feitas de malhas de aço. Geralmente consistia de duas partes, ligadas entre si por tiras de couro ou tiras de metal, por cima dos ombros, amarradas na parte da frente, havendo também articulações nos lados. Uma delas cobria a região inteira do peito, a parte frontal do tórax, e a parte superior do abdómen, protegendo os órgãos principais da vida, ali contidos. E a outra parte cobria uma parte das costas.

Quão importante é esta arma que protege nossos corações! Nossos corações têm necessidade dessa protecção. Nesse combate, não se trata de permitir o menor sentimentalismo, a menor fraqueza diante do inimigo; nosso amor a Deus, e a todos os crentes deve ser protegido para ficar livre e puro de todo o sentimento estranho a nosso Senhor.

Ela é, pois, a parte essencial da armadura do soldado de Cristo. Esta descrição, certamente foi tirada do guerreiro celestial, referenciado no livro de Isaías 59:17 “Porque se revestiu de justiça, como de uma couraça...”, bem assim como de II Coríntios 6:7, às “armas da justiça, à direita e à esquerda”.

Desta forma, a couraça do cristão pode ser a “justiça de carácter e de conduta”, a rectidão. Assim como cultivar a “verdade” é a maneira de derrubar os enganos do diabo, assim, também, cultivar a “justiça”, neste sentido, é a maneira de resistir às suas tentações.

Em Hebreus 5:13, o apóstolo adverte os crentes de que a Palavra da justiça deve encher os corações e caracterizar suas atitudes; sairão, assim, do estado de infância espiritual, e seu discernimento atingirá a maturidade em Cristo.

O que se vê hoje na cristandade é bem diverso: compromisso com o mal, resistência às exigências do Senhor, incongruência e infidelidade em nome do que se chama a “caridade”, concessões feitas ao mundo e ao espírito do século presente.

No combate contra o inimigo das nossas almas, não podemos permitir o sentimentalismo, a menor fraqueza perante o inimigo. Nosso amor a Deus e aos nossos irmãos deve ser protegido para ficar livre e puro de todo o sentimento estranho.

A Couraça da Justiça é, pois, parte essencial da armadura do soldado de Jesus Cristo, pois é ela que protege o peito, o coração e os órgãos vitais. Trazer a couraça de justiça, ser exercitado pela Palavra da justiça para discernir “tanto o bem como o mal”, será a melhor protecção para o coração no combate diário (Hebreus 5:14).

A Couraça da Justiça é, para o combatente cristão, protecção e resguardo. Os ataques do inimigo são insidiosos e traiçoeiros, como bem lembra o apóstolo Pedro: “O diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” ( I Pedro 5:8 ).

O cristão precisa possuir uma integridade pessoal sã. Não deve ser hipócrita ou actor, tendo duas caras. Infelizmente, o que se vê hoje nalguns cristãos é bem diferente: compromisso com o mal, resistência às exigências do Senhor, infidelidade em nome do que se chama “caridade”, concessões feitas ao mundo e ao espírito do século presente. O crente não pode permitir a menor fraqueza diante do inimigo. Nosso amor a Deus e a todos deve ser protegido.

Para que haja vitória é preciso que o coração esteja bem guardado, permitindo que a pureza interior nos domine. Não devemos permitir que o inimigo nos atinja os delicados sentimentos da vida espiritual.

Na tentação de Jesus, constatamos como o tentador procura vencer atacando os pontos que considera fracos e viáveis: a fome após prolongado jejum, a perspectiva de conquista e aplauso popular, o domínio, fácil de conquistar, sobre os outros.

As armas de Satanás são muito perigosas: tentações, associação de ideias, provocações, desafios, mentiras, meias-verdades, calúnias, hipocrisias, falsas amizades, religiosidade aparente.

(continua...)
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