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Autor Tópico: Sedentos de Justiça  (Lida 5146 vezes)
Pr. Sérgio Felizardo
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« em: Julho 05, 2009, 18:13:23 »

SEDENTOS DE JUSTIÇA

O ENSINO BÍBLICO

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” Mateus 5:6

Já estudámos as três primeiras Bem-Aventuranças
Na primeira falámos sobre os humildes de espírito, que são aqueles que são isentos do orgulho e da arrogância, com os quais Deus mantém um relacionamento íntimo.

Na segunda falámos sobre os que choram, que são os que têm seus corações quebrantados pela Palavra de Deus, e estão dispostos a chorar seus pecados, suas fraquezas de maneira não fingida, mas com sinceridade.

Na terceira falámos sobre os mansos, que são aqueles que mesmo diante das pressões deste mundo, não perdem sua paciência, mantendo sempre um espírito gentil, mostrando que foram moldados por Deus, de acordo com a imagem de Jesus.

Essas três Bem-aventuranças nos preparam para esta quarta, que nos mostra a real causa de nossos problemas, a nossa condição de pecadores, e a nossa maneira errada de reagir aos acontecimentos que todos os dias nos cercam.

Encontramos nesta quarta Bem-Aventurança uma exigência árdua para o mundo de hoje! Parece que o mundo cada vez menos aspira à justiça. Mas o Senhor Jesus não exigiu isso do mundo, e sim, daqueles que se propuseram a seguir a Sua Palavra.

Sabemos que a fome e a sede são instintos naturais para a sobrevivência do ser humano. Quando uma pessoa fica doente, normalmente perde a vontade de comer, o que nos traz uma sensação muito desagradável.

Da mesma forma que sentimos fome e sede, tendo prazer em saciá-las, precisamos sentir “fome e sede de Deus”, para nos podermos saciar com água viva e com o pão do céu. E a promessa do Senhor é a seguinte: “Eles serão fartos”.

As pessoas descritas neste texto sabem que nada têm de bom para oferecer a Deus. Elas sabem muito bem que não merecem estar no seu reino. Elas admitem que são pecadores, destituídos de justiça, porque conhecem muito bem que tal justiça não existe.

Portanto, elas ficam com fome e sede de justiça. Elas são iguais ao homem perdido no deserto, sendo castigado pelo sol, que sabe que, sem água e alimento, logo morrerá. As pessoas bem-aventuradas por Deus sabem que sem a justiça de Deus a morte espiritual é inevitável.

CONCEITO BÍBLICO DE JUSTIÇA

A justiça a que Jesus se está referindo não é o desejo de que os outros nos tratem com justiça, nem é buscar os nossos direitos na justiça dos homens. As pessoas a quem Jesus proferiu essas palavras pela primeira vez, sabiam por experiência o que é ter fome e sede físicas.

Causam uma ansiedade muito grande. Quando as pessoas aprenderam a sentir anseio por justiça, isto é, por rectidão, assim como sentem necessidade de pão e água quando estão com fome, Jesus promete:”serão fartos”.

O termo “justiça” é muito comum nas Escrituras. Para ser compreendido, torna-se indispensável vê-lo sob, pelo menos, três aspectos:
 
1. A Justiça de Deus

A justiça é uma marca, um sinal do Reino de Deus. Na concepção de Paulo, “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14:17). Para o apóstolo João, a justiça, assim como o amor, são manifestações obrigatórias na vida dos filhos de Deus: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6).

A justiça divina manifesta-se, especialmente, em dar a cada um o correspondente aos seus méritos: “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (II Timóteo 4:8 ). Mais precisamente,  essa  é a  coroa que consiste de perfeita justiça: a vida eterna dada ao crente como clímax da santificação.

2. A Justiça do Homem

A Bíblia declara que o homem, ao ser formado, no princípio por Deus, foi feito um ser justo e recto: “Vede, isto tão somente achei: que Deus fez ao homem recto, mas eles buscaram muitas invenções” (Eclesiastes 7:29).

Mas, o homem ao envolver-se com o pecado, perdeu esse estado de graça diante de Deus. Embora o caminho tivesse sido aberto pelo Criador para que o homem se pudesse reconciliar com Ele, o homem tem preferido usar a sua própria justiça.

O ser humano anseia pela justiça moral, aquela justiça de carácter e de conduta, que agrada a Deus, É aquela justiça que  não  precisa  ninguém  ficar  vigiando  nossos  actos  e nossa conduta: há integridade total. Jesus disse que a nossa justiça tem que ser superior à dos escribas e fariseus (Lucas 18:11-14). A justiça moral tem motivação própria: é do interior do coração, é da alma, e transcende à exigência da Lei.

3. A Justiça do Crente

A justiça do crente é derivada da justificação como um acto soberano da graça de Deus. Por “justificação” entende-se o acto pelo qual Deus declara posicionalmente justa a pessoa que a Ele se chega através de Jesus.

Esta justificação envolve dois actos: o cancelamento da dívida do pecado na “conta” do pecador, e, o lançamento da justiça de Cristo em seu lugar. Deste modo, a justiça do crente é um estado de graça resultante não daquilo que ele é em si mesmo, mas daquilo que Cristo é e fez na sua vida: “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Romanos 3:24-26).
 
OBSTÁCULOS A UMA VIDA DE JUSTIÇA
A causa do fracasso na vida cristã é, simplesmente, porque não queremos ser cristãos. Entre os obstáculos a uma vida cristã justa, os mais comuns são:

1. Ausência de Comunhão com Deus

Assim como é impossível a uma pessoa tomar duas direcções opostas ao mesmo tempo, é igualmente impossível ao crente amar o mundo e ainda manter comunhão com Deus: “Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4).

Segundo Paulo, “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” (Romanos 8:35). Apesar disto, há algo que pode separar o crente de Deus: o pecado: “Mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus: e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Isaías 59:2).

2. Conformação com o Mundo

A conformação pura e simples com este inimigo e hostil a Deus, é capaz de impedir o nosso progresso espiritual. Procurando evitar que isto nos aconteça, diz o Espírito Santo através do apóstolo Paulo: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).

3. Falta de Alvo Espiritual

Muitos crentes hoje não sabem para onde vão e não sabem o que fazem. Por falta de objectivos na vida, não sabem no que culminará a sua caminhada com Cristo. Paulo tinha um alvo na sua vida cristã. Ele dizia: “Prossigo para o alvo, pelo prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:14).

Qual a razão porque alguns cristãos continuam bebés espirituais enquanto outros avançam na direcção da maturidade? Nesta Bem-aventurança o Senhor Jesus declara que o segredo do crescimento espiritual está no apetite espiritual. Os que comem pouco, pouco crescerão; os que comem muito, muito crescerão. Os que têm grande apetite pela Palavra de Deus, esses se tornam gigantes espirituais.

Este princípio se acha exemplificado no testemunho de alguns gigantes espirituais, cuja vida está registada na Palavra de Deus. Eles nos contam os segredos de seus corações:

- Moisés. Foi chamado ao Monte Sinai onde Deus lhe revelou a sua Lei para que ele a comunicasse ao povo. Já no Tabernáculo, que ele erguera, na presença de Deus, faz um pedido que revela o profundo anseio do seu coração: “Agora pois, se tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que agora me faças saber o teu caminho, e conhecer-te-ei, para que ache graça aos teus olhos” (Êxodo 33:13).

E mais adiante:”Rogo-te que me mostres a tua glória” (Êxodo 33:18). Tudo o que Deus lhe revelara, em vez de o satisfazer, criou nele uma profunda forma de conhecer mais da Sua Palavra.

- Davi. Andou em tão íntima comunhão com Deus que pôde escrever os Salmos que têm servido de consolo a todos nós e nos têm guiado à adoração. Ele podia dizer: “O Senhor é o meu pastor: nada me faltará” (Salmo 23:1).

Era a certeza da sua comunhão com Deus. No entanto, no Salmo 42, Davi fala do anseio de seu coração: “Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” (42:1-2).

- Paulo. No capítulo 3 da Carta aos Filipenses, relembra as grandes bênçãos que encontrou ao conhecer a Jesus, bênçãos que suplantavam tudo o que conhecera antes. No verso 10, ele declara: “Para conhecê-lo...”. Paulo não estava satisfeito com o resultado do seu ministério. Sua felicidade estava na comunhão com o Senhor.

- Pedro. Vemo-lo preocupado ao escrever às suas ovelhas: “Desejai afectuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo”  (I Pedro 2:2). Em sua segunda carta, ele ordenou: “Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo” (II Pedro 3:18). Mas Pedro disse que o crescimento depende do apetite: “Desejai afectuosamente...”. A Palavra de Deus devia ser para a alma o que o alimento é para o corpo.

CULTIVANDO UMA VIDA DE JUSTIÇA
Como pode o cristão cultivar uma vida de justiça? Quais os meios à sua disposição para satisfazer a sua fome e sede de justiça? Entre outros distinguimos os seguintes:

1. O Estudo da Palavra de Deus
O estudo contínuo da Escritura Sagrada tem o mérito de expor as nossas fraquezas e de colocar as grandes possibilidades de Deus ao nosso inteiro dispor. Aqueles que têm fome e sede de justiça, sabem que “nem só do pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mateus 4:4). Fome da Palavra de Deus indica fome de justiça. Assim como a fome é sinal de saúde, só os espiritualmente sadios tem fome e sede de justiça.

2. Prontidão para a Confissão
Pecados encobertos têm sido a principal razão da falta de progresso espiritual na vida de muitos crentes. Davi, porém, dá-nos o exemplo de um homem que, tendo cometido grave pecado, o confessou a Deus.

Tendo mandado matar um dos seus soldados, e possuindo uma mulher que não lhe pertencia, sabendo que havia pecado contra o Senhor, confessa humildemente: “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que a teus olhos parece mal” (Salmo 51:4).

Não podemos ocultar pecado na nossa vida e ainda assim ter fome e sede de justiça: “O que encobre as suas transgressões, nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Provérbios 28:13).

3. Anelo pela Pureza
Deus está pronto não só a perdoar os pecados que cometemos, como também a purificar a fonte dos motivos desses pecados. Devemos desejar a pureza como um permanente  estado  de  vida  e,  depois,  orar  como  Davi: “Purifica-me com hissope, e ficarei puro: lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve” (Salmo 51:7). O seu desejo era tal que orou: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito recto” (Salmo 51:10).

4. Simpatia pelos Injustiçados
É impossível ao crente assimilar a justiça divina na sua vida e assistir passivamente à opressão do seu semelhante por parte daqueles que não temem a Deus. A Bíblia dá ênfase à igualdade entre os homens, independentemente de raças ou posições sociais. Reconhece o direito à liberdade, ao trabalho, ao alimento, à educação, etc. (Tiago 5:1-6).

BARREIRAS QUE NOS IMPEDEM DE SERMOS FARTOS

1. Incredulidade. Assim como muitos têm forte tendência para duvidarem da protecção de Deus em todos os momentos da vida, assim também alimentam dúvidas de que “serão fartos”, isto é, de que alcançarão vitória sobre pecados e fraquezas.

2. Falta de perseverança. O processo de santificação é um processo lento. Muitos querem solução rápida, e de preferência que não custe nada. Jesus disse: “toma a tua cruz e segue-me”.

3. Não vivem por fé, mas por emoção. As emoções do início da conversão passam, para que assim continuemos buscando a Deus por fé na Palavra. Muitos não entendem isso e logo desanimam.

4. Cegueira e orgulho. Muitos são cegos para “ver” a mão de Deus por trás das dificuldades para os levar ao quebrantamento. Não encaram os problemas como o “amassar do barro” do Oleiro Celeste. E por causa do orgulho, não se humilham.

5. Traumas ainda não sarados. A amargura entristece o Espírito Santo e assim não conseguem perceber o amor de Deus. Precisa começar pelo perdão. Depois que o pecador alcançar vitória sobre a amargura, nasce uma luz de esperança em relação aos demais problemas.

Júlio Sérgio Felizardo Mangualde, Fevereiro de 2004
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